Pronunciamento de Valdir Andres

Pronunciamento do prefeito Valdir Andres no ato de transmissão do cargo de presidente
Porto Alegre, 27 de junho de 2014

Um ato de posse é de quem chega, não de quem sai. Por isso mesmo, quero ser o mais breve possível. Não poderia, porém, deixar de agradecer. Penso que nenhum dever é mais importante do que este: o da gratidão. Pois bem. Meu muito obrigado, em primeiro lugar, para os prefeitos e as prefeitas do Rio Grande. Que honra, que orgulho eu tive de representá-los. Em especial, a gratidão aos fiéis parceiros que integraram a nossa diretoria. Que grande time nós formamos! Já fui secretário de Estado, deputado, diretor de banco, enfim, tive grandes desafios durante a minha trajetória. Mas este – o de ser presidente da Famurs –, sem dúvida alguma, foi um dos que mais me honrou.

A causa do municipalismo está encarnada em mim. Sou um homem do interior, de base. Fui prefeito há 20 anos e sou novamente agora. Minha mulher é vereadora em Santo Ângelo. Sempre vivi intensamente o cotidiano da minha cidade. Viajei, conheci o mundo, superei muitos obstáculos. Mas devo dizer para vocês que o meu coração, as minhas expectativas e a minha vida nunca deixaram de ter a sua verdadeira morada lá na minha terra. E eu aproveito para agradecer os santo-angelenses que compreenderam essa responsabilidade e até mesmo minhas eventuais ausências. Fiz isso inclusive em defesa da nossa própria cidade e da região das Missões. Sei que cada um de vocês também tem essa sensação de pertencimento. Certamente o governador tem em relação à sua Santa Maria. Certamente o Dr. Miola tem em relação à sua Sertão. O prefeito Menegaz, em relação à sua Tapejara. Todos temos esse apego afetivo com a nossa terra. E não devemos perdê-lo. Ser municipalista é assim mesmo, é algo que já nasce conosco. É da natureza humana. É amar o próximo, ter apreço pela própria vida. Se já temos amor pelo nosso município, imagine a responsabilidade quando a gente se vê na condição de prefeito. Queremos nos superar para honrar essa representação que a população nos deu. Claro que sempre há o que melhorar, mas eu faço questão de fazer uma revelação para vocês aqui: em pesquisa elaborada pela Famurs, constatamos que, nos últimos dez anos, os municípios gaúchos fizeram seu dever de casa. Ampliaram a arrecadação própria, controlaram os gastos com pessoal, expandiram investimentos e priorizaram saúde e educação. O estudo aponta crescimento de 145% acima da inflação na receita do ISS, entre 2002 e 2012. Então, olhando para esses números, creio que não resta muito a acrescentar sobre a qualificação dos nossos gestores municipais – o que, na verdade, é apenas reflexo do mérito das nossas próprias comunidades.

Mas retomo os agradecimentos… Muito obrigado à representação dos demais poderes e órgãos representativos – e vejo muitas autoridades aqui presentes. Evoluímos consideravelmente na aproximação e até mesmo na parceria com as instituições. Esse é um caminho que precisa estar em permanente construção. Ainda há muito a evoluir. Mas fizemos o que foi possível. Sempre procuramos dialogar. A Famurs não abdica do seu papel em relação aos Municípios e à figura institucional do prefeito. Tivemos uma postura muito combativa, mas jamais partidária ou ideológica. Não é isso que nos move. O que distingue a Famurs é a sua defesa intransigente dos interesses dos Municípios. E sempre procuramos fazer isso de forma propositiva e colaborativa. Creio que inclusive ajudamos os demais poderes quando tiveram de rever decisões em virtude dos nossos pleitos. São inúmeros exemplos a citar dos resultados concretos da nossa luta, mas economizarei o tempo das senhoras e dos senhores. Lembro rapidamente da luta contra o aumento do IPE, contra o fechamento dos blocos cirúrgicos em pequenos hospitais, em favor dos acessos asfálticos para pequenos municípios. Recordo também do pagamento do transporte escolar, da agilização dos licenciamentos da Fepam, da revisão da Lei Kiss para torná-la factível. Ou então da transferência de policiais para a Copa, do pagamento da Consulta Popular… Essas foram algumas das nossas bandeiras estaduais, ou algumas das nossas “brigas”, como muitos podem dizer. Nosso intuito jamais foi de brigar, mas sim construir. Gritamos quando foi preciso, mas, sem falsa modéstia, tivemos sempre a compreensão e a elevação de compor, de ouvir e até mesmo de recuar quando isso foi necessário. E, meu prezado governador Tarso Genro, quando o governo revisou suas posições – e isso aconteceu mais de uma vez – , ganhamos nós, mas também ganhou o próprio Estado do Rio Grande do Sul. Ganhou o próprio governo. Usamos esse procedimento na relação com o Governo do Estado, a Assembleia Legislativa, o Ministério Público, o Tribunal de Contas, enfim, com todas as instituições. O que nos moveu, repito, foi a defesa dos Municípios – porque esse é o grande papel da Famurs.

Agradeço à nossa equipe– todos, sem distinção. O cargo do presidente é de representação e honorífico, não temos expediente fixo na entidade. Então, tudo funciona se a equipe da casa estiver alinhada. E eu, sinceramente, não tenho do que reclamar. Os resultados, em grande medida, são mérito de vocês. Não foi uma gestão fácil, todos sabem disso. Assumimos sob certa descrença institucional, tanto interna quanto externa. Tivemos de fazer um trabalho de reposicionamento da nossa Federação, inclusive no aspecto financeiro. Começamos nossa gestão com dívidas correspondentes a quase duas arrecadações mensais. E, hoje, estamos deixando como herança uma arrecadação inteira como extra no caixa. Sem dúvida podemos dizer que “arrumamos a casa”. E falo isso mirando o futuro. A Famurs é nossa, é de todos os Municípios. Então, sem olhar para trás ou encontrar culpados, procuramos fazer o que precisava ser feito, sempre com a confiança colegiada da nossa diretoria. E fizemos bem mais. Eu poderia citar muitas realizações… Agora mesmo, há poucos dias, lançamos um portal, que terá informações úteis aos Municípios, além de indicadores, o nosso famoso guia (que agora passa a ser digital e estará sempre atualizado), um aplicativo para celulares, o Orienta (uma plataforma colaborativa da área técnica)… Enfim, modernizamos e inovamos a nossa querida Famurs.

Na opinião pública, vocês são testemunhas do trabalho. Foram poucos os anos em que a Famurs se fez presente em tantas manchetes, em tantas notícias, em tantas mobilizações – e todas elas com pautas concretas para nossos municípios. Não foi um trabalho para a Famurs aparecer, mas foi um trabalho para a Famurs posicionar-se. E efetivamente nos posicionamos politicamente sem medo. Foi dessa firmeza que veio a recuperação da imagem da nossa instituição, que hoje voltou a ser protagonista do cenário político e institucional do Rio Grande do Sul. Tanto foi assim que tivemos uma grande participação em todos os nossos eventos. Retomamos a Marcha Gaúcha com recorde de público. No ato de preparação da Marcha Nacional, chamamos a atenção do país inteiro. Na Marcha em Brasília, formamos a maior delegação brasileira. A Assembleia de Verão, em Tramandaí, estava lotada. Enfim, estivemos unidos e reunidos – sempre mobilizados!

Obrigado a todos. Obrigado ao meu partido, o PP, que me elegeu para o cargo. Obrigado ao presidente Celso Bernardi e à senadora Ana Amélia Lemos pelo irrestrito apoio pessoal que me deram. Obrigado aos partidos dos demais membros da diretoria. Obrigado à imprensa, que sempre nos atendeu com profissionalismo. Obrigado aos que foram parceiros do municipalismo. E obrigado também ao meu primeiro vice-presidente, prefeito Seger Menegaz. Foste um grande parceiro. E creio que o caminho justamente é por aí: a parceria. Tenho certeza, meu caro Menegaz, de que terás a mesma solidariedade e o mesmo apoio dos prefeitos. E pode contar comigo: serei sempre um fiel soldado em todas as batalhas municipalistas. Muito obrigado a todos. Muito obrigado mesmo.

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